sábado, 27 de julho de 2013

Semana Especial 19 anos: 19 Curiosidades do Cinema


Olá fobofóbicos! Como vão?
Essa semana será fatídica, pois no dia 30 completarei mais um ano de existência. Ano passado contei para vocês quais foram os 15 filmes que mais marcaram minha infância, as 10 músicas que mais marcaram minha infância e os 10 desenhos animados e seriados que mais marcaram minha infância. Dessa vez não será diferente, vou falar 19 (!!) curiosidades de cada um dessas artes.
Como foi da primeira vez, vou começar com o cinema, nem precisa dizer o por quê.
Vamos lá embarcar no mundo das curiosidades?

1) O primeiro filme da história

Foi "Arrivé diun Train a La Ciotat" e tem duração de menos de um minuto. Foi feito pelos irmão Lumiére (pais do cinema) em uma estação de trem de Paris e foi apresentado na mesma cidade. Porém, o público fugiu da sessão por pensarem que o trem iria sair da tela. Veja o filme:


2) O primeiro filme falado da história

Foi o filme "O Cantor de Jazz" (The Jazz Singer, de 1927). A parte falada do filme constava de apenas três cenas que não passavam de 10 minutos, pois naquele tempo os produtores acreditavam que ninguém poderia aquentar um filme com mais de uma hora de diálogo.
Foi um grande sucesso e impulsionou a produção de filmes falados. Foi também um dos primeiros filmes a ganhar um Oscar, um prêmio especial pela revolução e excelente produção. É considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.




3) O primeiro filme colorido da história

Vaidade e Beleza (Becky Sharp, no original) de 1935. O filme foi bastante aguardado por ser o primeiro a cores, mas não caiu muito no gosto do público, por ter um roteiro fraco. Isso mostra que não é só a produção que cativa espectadores, e sim um bom enredo.




4) O filme mais longo da história

Engana-se quem achou que fosse E o Vento Levou... de 1939. Embora esse dure 238 minutos (quase 4 horas), se comparado com o mais longo, parece uma piscada de olho. O filme em questão é "Tratamento contra a insônia" (bem irônico por sinal), com 87 horas de duração, ou seja, mais de 3 dias e meio. O filme consta em uma única sequência na qual se via o poeta Lee Groban lendo uma composição se 3.400 páginas. Só foi projetada na íntegra duas vezes e ninguém conseguiu ver o filme todo.
Não é considerado um filme comercial, ainda bem. Imagina se passasse na Globo. O Brasil ia se ver livre por 3 dias e meio das suas queridas novelas.

5) O filme mais caro do cinema



É a versão russa do clássico Guerra e Paz, de 1968. Calculando o custo da inflação, o filme precisou de um investimento de 560 milhões de euros. Convertido em reais, atualmente, daria entorno de 1 bilhão e 600 mil reais. É quase  que foi gasto no Maracanã. Pouquinho.
Se tratando de filmes "conhecidos", o mais caro é Piratas do Caribe no Fim do mundo, de 2007, que somando com marketing e inflação custou 332 milhões de dólares, algo entorno de 737 milhões de reais atuais. Em segundo vem Titanic, de 1997, com 286 milhões de dólares, 634 milhões de reais.


6) O primeiro cinema do mundo

Surgiu nos EUA, é claro, em 1895, em Atlanta. O segundo foi em Los Angeles, em 1902.

7) O filme mais visto nos cinemas


Não é Avatar e nem Tropa de Elite. O filme mais visto nos cinemas foi E o Vento Levou..., de 1939. O vento levou cerca de 400 milhões de pessoas para os cinemas de todo o mundo. Porém, não chega nem perto da bilheteria dos filmes atuais, pois os ingressos na época eram bem mais baratos.
Se trouxéssemos o filme para comparar com os dias de hoje, com preço de ingressos em 3D, o filme faturaria mais de 3 bilhões de dólares, 1 bilhão a mais do que a mais alta bilheteria da história, Avatar.

 8) O filme com mais beijos




O filme com mais beijos do cinema foi Don Juan, de 1926. Durante uma hora e cinquenta minutos de filme, os personagens se beijaram 127 vezes.

9) O filme com maior número de figurantes



Foi Gandhi, de 1982. O premiado filme utilizou cerca de 300.000 figurantes, número igual a população da cidade de Suzano, em São Paulo. O número é grande porque na época não existia o recurso de multiplicar pessoas por efeitos digitais e os indianos são mais de um bilhão. Imagina a dificuldade pra retratar essa população toda.

10) O país que mais produz filmes




A Índia, é claro. Bollywood produz cerca de 700 produções por ano. Só para efeito de comparação, Hollywood produz cerca de 300 a 400 filmes por ano.

11)  A primeira pessoa a receber um Oscar



Sabemos que o Oscar é o prêmio mais alto que alguém pode receber no mercado cinematográfico e o evento é muito badalado e disputado. Mas a primeira cerimônia, em 1929, durou cerca de 15 minutos e teve a presença de 250 pessoas, que pagaram 5 dólares para estar no evento.
A primeira pessoa a receber a estatueta foi o ator Emil Jannings, pelo premio da mesma categoria. E não foi um prêmio comum, foi uma congratulação dupla, pela sua atuação nos filmes The Way Of All Flesh e The Last Command.

12) Os filmes, atores e atrizes mais premiados com o Oscar


Os filmes:



- Titanic (1997): 14 indicações e 11 prêmios
- Ben-Hur (1959): 12 indicações e 11 prêmios
- O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei (2003): 11 indicações e 11 prêmios








Os atores:

- Daniel Day-Lewis (3 prêmios): My Left Foot (1990), There Will Be Blood (2008) e Lincoln (2013)
- Jack Nicholson (3 prêmios): One Flew Over the Cuckoo's Nest (1975), Terms of Endearment (1983) e As Good as It Gets (1997)
- Walter Brennan (3 prêmios): Come and Get It (1937), Kentucky (1939) e The Westerner (1941)






As atrizes:


- Katharine Hepburn (4 prêmios): Morning Glory (1934), Guess Who's Coming to Dinner (1968), The Lion in Winter (1969) e On Golden Pond (1982)
- Meryl Streep (3 prêmios): Kramer vs. Kramer (1980), Sophie's Choice (1982) e The Iron Lady (2012)
 - Ingrid Bergman (3 prêmios): Gaslight (1945), Anastasia (1957) e Murder on the Orient Express (1975)





13) A pessoa com mais indicações e mais prêmios do Oscar



Walt Disney foi a pessoa que mais foi indicada ao Oscar (com 59) e a que mais recebeu o prêmio (22). Além disso, recebeu 3 Oscar honorários.

14) Maiores Bilheterias Mundiais (Julho de 2013)



1º- Avatar (2009) - 2,7 bilhões de dólares
2º- Titanic (1997) - 2,1 bilhões de dólares
3º- Os Vingadores (2012) - 1,5 bilhões de dólares
4º- Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (2011) - 1,3 bilhões de dólares
5º- Homem de Ferro 3 (2013) - 1,2 bilhões de dólares


15) Maiores Bilheterias no Brasil (Julho de 2013)



1º- Titanic (1997) - 29, 5 milhões de espectadores
2º- Tubarão (1976) - 13 milhões de espectadores
3º- Tropa de Elite 2 (2010) - 11 milhões de espectadores
5º- Os Vingadores (2012) - 10,9 milhões de espectadores
5º- Sona Flor e Seus Dois Maridos (1976) - 10,7 milhões de espectadores




16) Animações com maior bilheteria (Julho de 2013)


1º- Toy Story (2010) - 1 bilhão de dólares
2º - O Rei Leão (1994) - 951 milhões de dólares
3º - Procurando Nemo (2003) - 920 milhões de dólares
4º - Shrek 2 (2004) - 919 milhões de dólares
5º - Era do Gelo 3 (2009) - 886 milhões de dólares







17) Maiores Franquias do cinema (Julho de 2013)



1º - Harry Potter (8 filmes) - 7,7 bilhões de dólares
O filme mais visto: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (2011) - 1,3 bilhões de dólares
Obs.: Todos os filmes da franquia estão entre as 40 maiores bilheterias mundiais.

2º - 007 (25 filmes) - 6,1 bilhões de dólares
O filme mais visto: 007 Operação Skyfall (2012) - 1,1 bilhão de dólares
Obs.: Contando os não oficiais

3º - Universo Marvel (7 filmes) - 5,4 bilhão de dólares
O filme mais visto: Os Vingadores (2012) - 1,5 bilhão de dólares
Obs.: A contagem começa a partir de Homem de Ferro, de 2008. Ou seja, só conta os filmes dos super-heróis que fazem parte dos Vingadores.

4º - Star Wars (6 filmes) - 4,3 bilhões de dólares
O filme mais visto: Star Wars Episódio I - A Ameaça Fantasma (1999) - 1,5 bilhão de dólares
Obs.: Como forma de aumentar a quantia, a LucasFilm iria relançar os filmes em 3D. Porém, apenas o primeiro episódio foi relançado em 3D, aumentando a sua bilheteria e tornando o mais rentável da franquia. O plano de relançar os filmes em 3D foi abandonado e a LucasFilm foi vendida para a Disney, que vai lançar o Episódio VII em 2015.

5º - Senhor dos Anéis/O Hobbit (4 filmes) - 3,9 bilhões de dólares
O filme mais visto: O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei (2003) - 1,1 bilhão de dólares
Obs.: O valor arrecadado da franquia vai aumentar nos próximos meses, com o lançamento de O Hobbit: A Desolação de Smaug em 2013 e O Hobbit: Lá e de volta Outra vez em 2014. Os 4 filmes estão entre os 35 com maior arrecadação.


18) Os filmes brasileiros mais vistos (Julho de 2013)


1º - Tropa de Elite (2010) - 11,4 milhões de espectadores
2º - Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) - 10,7 milhões de espectadores
3º - A Dama da Lotação (1978) - 6,5 milhões de espectadores
4º - Se Eu Fosse Você 2 (2009) - 6,1 milhões de espectadores
5º - O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977) - 5,7 milhões de espectadores

Lembrando que no Brasil a contagem é feita por público e não por bilheteria.



19) As maiores bombas de bilheteria*



1º - Marte Precisa de Mães (2011)
Custou: 150 milhões de dólares
Arrecadou: 38 milhões de dólares
Saldo negativo de 130 milhões de dólares

2º - O 13º Guerreiro (1999)
Custou: 160 milhões de dólares
Arrecadou: 60 milhões de dólares
Saldo negativo de 129 milhões de dólares

3º - John Carter - Entre Dois Mundos (2012)
Custou: 250 milhões de dólares
Arrecadou: 278 milhões de dólares
Saldo negativo de 108 milhões de dólares

4º - Jack, o Caçador de Gigantes (2013)
Custou: 200 milhões de dólares
Arrecadou: 197 milhões de reais
Saldo negativo de 101 milhões de dólares

5º - Sahara (2005)
Custou: 160 milhões de dólares
Arrecadou: 119 milhões de dólares
Saldo negativo de 100 milhões de dólares

*O saldo leva em conta também os custos de propaganda e distribuição.



Essas são algumas das curiosidades e números do mercado cinematográfico.
Espero que vocês tenham se divertido, pois eu curti bastante descobrir essas façanhas!
Até a próxima!!


sábado, 22 de junho de 2013

Dica de Leitura - Joe Hill


E aí, galerinha? Tudo bem com vocês? Espero que sim.
Estava aqui na net, sem fazer nada, dai pensei: Á quantas anda o Fobofobia? Fui xeretar o blog e vi que fiz somente 3 (!!!!) miseras (!!!!!!) postagens no ano (!!!!!!!!). Um absurdo...
Pensando nesse esquecimento (esquisita a frase), logo notei que precisava muito fazer um novo post. O que fazer? Pensei. Tentei pesquisar os acontecimentos relevantes pra mim nesses dias, o que tem acontecido de legal. A conclusão: pouca coisa, mas uma me chamou atenção e quis compartilhá-la.
No fim do ano passado, li a respeito de um filme novo que Daniel Radcliffe (Harry Potter e A Mulher de Preto) está fazendo. O filme se chama "Horns" (que em inglês significa "chifres", entretanto, o filme será " O Pacto" no Brasil), que conta a história de um homem que após alguns acontecimentos acorda com chifres na cabeça e quando as pessoas próximas veem esses "acessórios", contam seus segredos mais obscuros, muitos é claro, pecados.


Quando li o roteiro, achei um tanto quanto estranho, para não dizer ruim. Na mesma notícia, li que o tal roteiro era baseado em um livro homônimo do escritor Joe Hill, filho de ninguém mais, ninguém menos de Stephen King (escritor de clássicos como Carrie, a Estranha, Á Espera de um Milagre, IT - Uma obra prima do medo, entre outros)! Uau. Precisava comprar o livro.

_________________________________________________________________________
  • Pausa para a biografia


Joseph Hillstrom King, mais conhecido como Joe Hill (Hermon, Maine — 3 de junho de 1972) é um escritor estadunidense de livros do gênero de ficção. É filho do também escritor Stephen King. Seu nome foi escolhido como uma forma de homenagem ao anarquista sueco Joe Hill.
Em 2007, lançou um livro de terror intitulado A Estrada da Noite, no Brasil, e a Caixa em Forma de Coração, em Portugal. É também de sua autoria a coletânea de contos Fantasmas do Século XX, publicada no Brasil em 2008.
Voltou à escrever outra novela de terror em 2010, com o título de Horns (no Brasil, O Pacto). Todos os seus livros foram publicados no Brasil pela Editora Sextante.
________________________________________________________________________

Por coincidência, dias depois peguei uma promoção em um site e comprei o livro por 10 reais. Fiquei meio receoso, tanto pela história, tanto pelo preço. Afinal, o livro era um dos mais vendidos na época, não era pra estar em uma promoção como essa. Mas, lendo as críticas de quem já havia lido a obra, bem positivas por sinal, resolvi dar um voto de confiança.
Uma semana depois, ele chegou, em ótimas condições, bonito.

O Pacto (Horns)
Joe Hill, 2010
Editora Sextante

Pela capa, pelo nome, já estava bem óbvio do que se tratava: do "coisa ruim", é claro. Porém, com o passar da história, você percebe que não existe pacto nenhum. Mas, mesmo assim, o enredo é bem intrigante.
Ig Perrish era uma cara comum. Tinha amigos legais, uma família de músicos rica e bem estruturada e uma ótima namorada, Merrin. Tudo isso desmorona depois que Merrin é assassinada e o principal suspeito é seu namorado, o protagonista da trama. Após um ano do ocorrido, depois de muita sofrimento e solidão, Ig acorda com fortes enxaquecas e descobre nasceu um par de chifres de suas têmporas. Depois de pensar estar louco ou doente, percebe que eles são reais e que rêm o poder de impelir as pessoas a entrarem em um tipo de estado de transe e consequentemente revelarem seus pecados e segredos mais obscuros. Entre elas, seus pais, um médico, o padre da cidade, ninguém fica imune. Com esse poder em mãos, o usa para tirar proveitos e desvendar os mistérios que envolve a morte se sua namorada.
A história é muito dinâmica, sempre com algo interessante acontecendo. Além disso, tem muitas referências a músicas americanas, criando meio que uma "trilha-sonora". Joe esparrama palavrões, muitos sem necessidade ao meu ver, mas que deixam o livro mais informal e divertido em algumas partes. Também tem algumas reviravoltas interessantes e espaço para o amor. Descrições poderosas, que nos faz sentir repulsa com os banhos de sangue e dentes e ossos quebrados. Bem visceral.
No final, você para para pensar em algumas questões. O bem e o mal, a amizade, o pré-julgamento e também os limites do amor.
Muito recomendável para quem gosta de tramas fantasiosas, suspense, casos policias e rock.

***

Após um tempo, entrei na sala de aula na faculdade e vi que uma amiga minha lia um livro, A Estrada da Noite, depois percebi que o livro também era de Joe Hill. Fui conversar com ela, que me disse que era uma história de arrepiar, de ficar sem dormir por dias!
Preciso comprar o livro. Pensei, de novo.
Comprei de novo em uma promoção e ele chegou faz duas semanas,  em perfeitas condições. Porém, não iniciei a leitura porque estava lendo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (perfeito! *-*). Terminei Harry Potter nessa segunda e, sem pensar duas vezes, comecei a ler A Estrada da Noite. Para ver como é envolvente, já estou na metade. (Meu hábito de leitura é estranho. Não leio em ônibus e metrôs, porque me deixa enjoado. Em casa, leio de vez em quando. Portanto, leio mais nos intervalinhos no trabalho. Ou seja, não sou daquelas pessoas que vivem com um livro na mão 24 horas por dia.)

A Estrada da Noite (Heart-Shaped Box)
Joe Hill, 2007
Editora Sextante


O livro conta a história de Judas Coyne, uma estrela de rock de meia-idade que coleciona objetos antigos mórbidos, como uma corda usada em um suicídio e um diário de uma feiticeira que viveu 200 anos atrás. Assim, ele não pensa duas vezes antes de comprar um paletó assombrado pelo fantasma do dono morto, publicado em um site de leilão online. Só depois que chega embalado em uma caixa preta em formato de coração (por isso o nome original), Jude descobre que o paletó pertenceu a Craddock McDermott, o padrasto de uma das fãs descartadas por Coyne e que o fantasma do velho homem é um espírito maligno determinado a matar Judas por vingança pelo suicídio de sua enteada. Judas e sua namorada caem na estrada numa tentativa de fugir do fantasma e encontrar um jeito de detê-lo.
Na primeira descrição do fantasma, já me arrepiei todo. Sinistro. Ainda mais pra mim, que tenho uma imaginação bem fértil. Nós já somos envolvidos na história nas primeiras páginas, pois Joe não perde tempo remoendo o passado dos personagens e a descrição deles é feita ao longo da trama.
São cenas realmente assustadoras, sequências cheias de suspense e de tirar o fôlego. Não vejo a hora de chegar ao final do livro, ou não.


Realmente um ótimo achado esse Joe. Sua imaginação é bem incrível e pelo jeito vai seguir com perfeição a carreira do pai.
Agora vamos esperar pra ver o filme de O Pacto. Afinal, como acontece com os livros de Stephen, nem sempre o filme faz jus ao livro.


domingo, 14 de abril de 2013

A Vida de Narciso




                 Estava escuro, mas sentia o meu vidro se aquecer cada vez mais. Uma luz forte surgia entre as cortinas daquele quarto, percorrendo o chão, ao meu encontro. Subia, subia, e me deixou ligeiramente cego por uns instantes. Me sentia mal, uma dor terrível.
                 Era minhas primeiras visões, doía. Estavam um pouco embaçadas. Não conseguia me mexer. Estava petrificado. Eis que uma porta se abriu e no quarto entrou uma bela moça, de cabelos desgrenhados e bocejando. Como uma fada, deslizou até a janela e abriu-as, deixando o vento entrar e fazer com que suas vestes de seda branca flutuassem no ar, assim como seus cabelos. A mulher que vi pela primeira vez foi também a primeira por quem me apaixonei. Depois de respirar o ar da manhã, a moça veio ao meu encontro e começou a me olhar, a se exibir para mim. Ah, que visão dos deuses! Olhava pra mim, se insinuando, chegou bem perto, seu rosto quase colando em mim, e começou a se analisar. Achei aquilo estranho. Olhei bem para seus olhos, e a vi refletida. Logo notei do que se tratava, eu era nada além de um espelho.
Ela começou a fazer caretas, mas sua beleza ainda estava lá. Queria criar braços, poder tocá-la, dançar com ela, mas a única coisa que eu podia fazer é observá-la se afastar cada vez mais, sem desgrudar seus olhos de mim, até fazer seu reflexo desaparecer.
               Queria chorar, mas não conseguia. Que vida inútil, a vida de um espelho. Nada podia fazer, além de mostrar para os outros como são. Enxergar e ver e nada fazer, além de refletir. O dia ia passando, e só fazia aumentar a minha inutilidade. Estava ali, vendo e refletindo a parede cor de laranja. Não tinha cor melhor, não? Eis que entra um rapaz, bem apessoado, de terno. Parou na minha frente e começou a colocar a gravata listrada. Fiquei olhando para ele, com inveja. Ele podia se mover, se ver. De repente, gritou um nome: Maria!. De repente, a moça angelical de antes, entrou com vestes sóbrias, cabelos presos, mas ainda continuava bela. Então, seu nome era Maria. Trouxe um perfume para aquele rapaz, borrifou nele, fazendo um respingos caírem em mim. Depois, grudou em seu pescoço e lhe deu um beijo. A minha inveja tinha aumentado, senti ódio daquele homem. Queria poder me quebrar e fazer com que os estilhaços caíssem sobre ele. Antes de perceber, os dois já tinham partido.
               A solidão foi a minha única companheira durante a tarde. O cheiro do perfume dele estava impregnado em mim. Poderia ter sido, sei lá, um sapato, uma televisão, uma mala. Mas justamente um espelho fui nascer. Não existe vida pior do que a de um espelho. Amado por uns e odiado por outros. O mais prejudicado com o amor e com o ódio. Não existem vantagens. Obrigado a ficar no mesmo lugar, muitas vezes a vida toda. servindo como amigo confidente. Desgraça.
                    A vaidade era uma das coisas que me acompanhava, então decidi me autobatizar de Narciso. Embora mais me odeie do que me ame. Sou o fruto da vaidade.
                    Já a noite, Maria chegara em casa. Ouvia seus passos pela casa, ansiando sua visita. Quando ela entrou no quarto, escolheu uma roupa no armário do quarto e começou a se trocar,é claro, se insinuando para mim novamente. Dançava com movimentos leves, uma música tocava lá embaixo. Olhava para tudo sem perder nada. Até que, para me colocar no meu lugar, entrou aquele homem e começou a beijá-la. Aos poucos, os dois foram se despindo e acabaram na cama branca do quarto. Refletia aquilo chateado. Muitas vezes, um dos dois olhavam para mim, para ver a performance. Mal sabiam eles que para mim,na verdade, era pra me mostrar a minha inutilidade.O que adiantava viver sem poder amar? O que adiantava ter vida sem poder viver? Queria despedaçar na frente deles.
                   Os dias foram se passando e a minha agonia só aumentava. Ver Maria todo dia de manhã, sua pele branca como suas vestes, o vento. As danças, as palavras. Mas o perfume dele sempre me colocava no meu lugar ínfimo. O amor deles me fazia desejar a morte.
                    Um dia, Maria entrou no quarto chorando e se sentou na beira da cama branca. Soluçava. Queria criar pernas e ir ao seu encontro, abraçá-la. Mas a única coisa que podia fazer é refletir a sua dor e sofrer com ela. De repente, em um súbito momento de raiva, Maria pegou um vaso que estava no criado mudo e tacou, sem ver aonde. Para minha alegria, ou tristeza, o vaso veio em minha direção e me quebrou em mil pedaços. Sentia muita dor, agora via tudo no quarto. Todos meus mil olhos observavam atento. O vento lá fora. O céu. O sapato dela, meu preferido. Maria.
                   Da porta, entrou o rapaz. Na hora percebi que a causa da dor de Maria era ele. Com vontade, um dos meus pedaços entrou no pé dele, que começou a sangrar. Me sentia melhor. Mesmo assim, ele começou a conversar com ela. Pedia desculpas. Via tudo. Ela balançava a cabeça, negativamente. O moço tinha traído Maria. Meu ódio só aumentou. Maria desceu e desapareceu de vista. O moço ficou parado, pensativo. Estava com a consciência pesada. Olhava pra tudo aquilo, nunca me senti tão feliz, mas ao mesmo tempo estava triste. A morte estava chegando, os dois estavam separados. Mas jamais veria Maria novamente.
                   Depois de um tempo, o rapaz me recolheu, fiz mais algumas feridas nele. Fui jogado no lixo, recolhido por um homem sujo e levado para um lugar sinistro. Não sentia mais nada. Apenas refletia, das duas maneiras. Quando me dei conta, estava entrando em um buraco de chamas. A partir daquele momento, apenas a minha mente vivia. Estava enganado quanto a morte. Pensei que pararia de pensar, mas a única coisa que pode acontecer a um espelho é se quebrar e perder sua função: refletir. 
                    Ouvia estalos, barulhos mecânicos, mas não via nem sentia nada. Estava preso em meus pensamentos. Um dia, fui levado para um lugar silencioso, para piorar a situação. Ouvia apenas o abrir e fechar de uma porta. Depois de muitos dias assim, fui levado para outro lugar. Então,comecei a ouvir vozes exaltadas e barulhos de vidro batendo. Estava em um bar ou algo do tipo. "Quanto deu?", ouvi. Era a voz do rapaz, namorado de Maria. "Essa cachaça deu 11 reais", ouviu de resposta. Me senti triste, um espelho veneziano se tornara garrafa de uma cachaça barata. Em um súbito,comecei a sentir de novo. Senti a boca do rapaz, estava barbudo.
                        Que vida cruel. Minha vida se resumia em refletir a tristeza. O rapaz me levou pra casa dele. Bebeu quase todo aquele liquido gelado dentro de mim. Só estava esperando o momento de ser jogado no lixo de novo. Era o que ele fazia comigo, me fazer um lixo. Ele me deixou no alto de uma estante, em um lugar esquecido. Ouvia ele entrar e sair. Em um dia, ele entrou, mas estava acompanhado. Muitos passos. Uma voz bem familiar ecoou, era Maria. Ah, Maria, quanta saudade da sua voz. Pena que não podia vê-la nem senti-la, estava esquecido no alto da estante. O perfume do rapaz exalava pela sala, era nostálgico. Ouvi os dois conversando, se beijando. Estavam juntos novamente. Não estava mais com raiva, pelo contrário, estava feliz. A vida se incumbiu de nos juntar novamente. Poderia ser diferente, poderia estar quebrado em uma sarjeta, tomando banho de água suja. Mas ela fez com que ficasse com quem, no fundo, queria ficar.
                   Ouvia as vozes deles, os carinhos. Passaram-se alguns anos, e as vozes aumentaram. Uma criança, de voz suave. Estranhava ainda não terem me encontrado. Mas, o dia chegou. Uma mão suave me pegou, me levou para ser lavado. As mãos macias de Maria. Senti uns espinhos entrando em mim, mas o cheiro das rosas me fez esquecer a dor. As vozes felizes, as risadas. Tudo me fazia feliz. Toda semana, sentia as mãos de Maria, trocando as flores. Virara um vaso, enfeite da casa. Preferia mil vezes, sentir as mãos de Maria, do que vê-la de longe. E mais do que isso, feliz.